Machismo, Feminismo, Argumentos e etc.
Ora pois, estou eu em um domingo entediado, então resolvi postar em meu mofado excelentíssimo blog e dar meu pitaco sobre conversar que andaram rolando com @lomyne @luzdelfuego e @lenteaberta (e também aconselho segui-los caso queiram dar boas risadas em vários momentos.
Tudo começa por um começo. O começo da vez foi o caro @lenteaberta falando que não achava justo a entrada (em bares, boates, baladas e etc.) das mulheres ter um preço menor com relação ao valor pago pelos homens. Desse ponto continuamos até chegar a dados conhecidos, como os que mostram que mulheres recebem um salário mais baixo do que homens, entre outras coisas (para mais informações, veja esse post da @lomyne: Ser Mulher É Degradante).
Concordo com alguns pontos, mas não em todos. E como o tédio domina, tentarei rebater os argumentos apresentados.
1. Homens ganham mais que mulheres e exercem a mesma função.
De fato. Mas agora pensem comigo, leitores que ainda não fecharam a aba do navegador:
Em muitas casas (não digo em todas), quem continua sendo o provedor? O homem. Há sim um número considerável de mulheres que ajudam de maneira igual para manter as despesas, mas será que já são a maioria? Quem sabe por esse antigo esquema que eles ganhem mais. Não rola dizer que não existe mais o antigo preconceito sussurrando que “o homem é mais competente em alguns cargos do que mulheres”. E pra falar a verdade, sim, muitas vezes eles são. Quantas pedreiras você conhece? Aposto que se conhece uma, é uma raridade. E quantos professores homens de primário você conhece? Aposto que deve conhecer algum também, mas são em bem menor número. Há cargos mais adequados para a natureza de cada sexo, e quem negar isso, por favor, me apresente bons argumentos.
Ganhar menos dinheiro que um homem no mesmo cargo é chato pra caralho. Mas não está satisfeita? Faça alguma coisa decente, que não seja dar piti queimando sutiã.
2. As feministas e suas ideias estúpidas de queimar sutiã conquistaram… a obrigatoriedade de trabalhar. Jornada tripla acontece (acho que não é uma boa propaganda pro McDonald’s).
Outro fato. A super mulher acontece bastante, a mulher trabalha fora, cozinha, limpa, lava, seca, no maior astral ♪♫♪. Mas fica a mesma dica do número 1: Não está satisfeita, vá fazer alguma coisa inteligente sobre isso. Sentar na roda de amigas e falar como a vida é difícil não ajuda em nada. Veste uma camiseta preta, olha pro seu homem e fale: “Quem manda nessa porra sou eu!”. Caso ele não aceite, divórcio está aí pra isso. Ninguém mais é obrigado a ficar casado. Não temos mais a tal vergonha de sermos devolvidas pra nossa família já que ganhamos o excelente direito de trabalhar e mandar no nosso nariz.
3. Mulher: vá a um churrasco familiar e tente chegar perto do clube do bolinha ao redor da churrasqueira. Se for bem-vinda, por favor, me convide para o próximo.
Nisso eu tenho que discordar totalmente. Comprovei isso no churrasco passado e em tantos vários que já fui. Entro na roda de homens, falo dos assuntos deles, eles me zoam e por aí vai. E a @lomyne sempre estará convidadíssima para todos os churrascos da galera.
4. Homens têm licença social para jogar futebol e sair com amigos para beber, talvez para mentir também. Mulheres não.
Mentira! Eu sempre tirei licença social pra ir beber no Largo da Ordem e ai do meu namorado se reclamasse. Além disso, ninguém quer aquele seu namorado enchendo o saco em casa, com cara de entediado e pensando “o casamento acabou com minha vida”. Sim, existe vida social após entrar em um relacionamento. Quem não tem alvará para soltura e não está feliz, continua a dica: bate o pau na mesa e chama de moleque, sr. 02.
5. Falando em código social, mulheres não podem falar de sexo abertamente, me atrevo a achar que nem gostar de sexo a gente pode.
Aí eu já não tenho tanta experiência para comentar o assunto, mas tenho que concordar que me olham estranho quando falo de sexo abertamente. Ainda tem o tal joguinho que o homem que transa com todas é o fodão e a mulher que transa com todos é uma grande de uma vagabunda. E eu não sei lidar bem com isso.
6. Trair faz parte da natureza do homem, acontece. Mulheres não podem trair, isso é errado.
Trair não faz parte da natureza do homem. Ver um par de pernas e perder a cabeça faz. Não é culpa deles e nem nossa se temos mais controle sobre o nosso tesão. Mas quem acha aceitável traição tem o mesmo direito de trair. E se acha que não tem, merece ser traído.
7. Pega mal pra caralho uma mulher chegar aos 30 anos solteira, precisa pelo menos um namoro sério.
Outra coisa pela qual eu ainda não passei e não posso dizer muito a respeito. As pessoas devem encher o saco pra caralho e te olhar com uma cara de “você vai ficar pra titia, hein?”. Mas a questão é: Você é feliz assim ou não? Tem gente que não nasceu pra viver a dois. Tem gente que foge horrores de casamento. O esquema é demonstrar para os outros o quão feliz você é sozinha e bola pra frente. Caso queira realmente alguém, tudo vem com o tempo. Casar deve ser uma coisa bem complexa, pois são duas pessoas que geralmente são bem diferentes se acostumando com hábitos alheios e tentando manter a paixão. Tomar uma decisão tão importante baseada no que os outros vão achar ou encher pode trazer muita dor de cabeça.
Agora vem a parte que eu paro de tentar (e muito improvável que tenha conseguido) debater os 7 argumentos que dizem que ser mulher as vezes é degradante para falar: ser homem também deve ser degradante de vez em quando.
1. O homem querendo ou não ainda é visto como provedor. Uma mulher sem estabilidade financeira não é tão mal vista quanto um homem sem esse aspecto. Além da grana que vai embora por muitas mulheres acharem que é OBRIGAÇÃO do homem pagar as saídas, as contas de casa, e etc. Mulheres reclamam de homens machistas mas elas mesmas continuam machistas em pontos que nem percebem.
2. O homem não pode ser sensível. Se um homem chora, muitas vezes é sinônimo de fraqueza. Ele será olhado estranho pelo menos por um infeliz por ter chorado em um filme romântico. Se ele não curte ver mulheres nuas em capas de revista, é taxado como gay. Ainda conheço mães que falavam desde cedo para os seus filhos “homem não chora”. Pobres garotinhos que tem que ficar reprimindo seus sentimentos o tempo inteiro para não serem condenados pelas machistas enrustidas.
3. Em um ambiente de “luluzinhas”, os homens também não são sempre bem-vindos. E afinal, o que eles iriam querer lá? Mulher falando de coisas de mulher, para outra mulher. Rindo L-I-T-R-O-S! Falando mal do sapato da tia da amiga da vizinha, fofocando sobre o pênis do marido. Você acha que vai ficar muito confortável em falar isso perto de um homem? Acho que não. E nem ele vai. Logo, fazemos muitas vezes as mesmas coisas. Não significa exclusão total e divisão total de sexos. Mas tem momentos que tem “assuntos de mulher”, e tem os momentos “assunto de macho, mano”.
4. Homens tem licença social para sair com os amigos e etc. Mulheres também. Já falei, nas argumentações anteriores: bate o pau na mesa.
5. Mulheres não podem falar de sexo abertamente. Homens não podem falar de sentimentos abertamente. Imagine a situação:
-Pow, brother! Aquela guria que eu transei ontem na balada é a mulher da minha vida. Tenho certeza! Mas tipo, acho que ela não me ama como eu amo ela. Sabe, a gente sente essas coisas. Além disso, tenho medo de ferir meus sentimentos. Aquela última garota com quem fiquei fez meu coração se partir em pedaços.
Geralmente rola um:
-Curti a mina. Queria pegar novamente, mas não sei se rola. Ela é meio fácil, sabe?
Geralmente os homens só falam de sentimentos com os amigos íntimos. Assim como as mulheres só falam de sexo entre amigas.
6. Trair não faz parte da natureza do homem. Quem criou esse conceito estava tentando justificar para uma mulher bem submissa que ela deveria aceitar as merdas que ele faz.
7. Pega mal pra caralho um homem que não tem vontade de pegar ninguém. Sabe, os outros homens começam a estranhar e até achar que ele não gosta da fruta. Afinal, homens são proibidos de não querer ficar com garotas bonitinhas que querem dar pra eles. Sabe como é, né? A galera vai começar a falar…
Enfim, nisso, fica minha contribuição para a discussão de 140 caracteres por vez. Espero que ela continue, pois é interessantíssima para mim e creio que para mais algumas pessoas. Entretanto, falar que a coisa só está ruim pro nosso lado fica chato. Imparcialidade não tem muito a ver com direitos iguais.
Arjan disse,
21/03/2010 às 6:31 PM
Mto bom, minha jovem. Julgo seu raciocínio no caminho certo.
As milhares de babozeiras, convenções sociais sobre o que é certo e errado, sobre o que um deve fazer ou não e mimimis, já me encheram o saco o suficiente. O negócio é ser você mesmo.
As pessoas são tão inseguras que precisam dessas regras e convenções sociais, pra saberem como devem agir e manter suas máscaras.
Fodam-se. Eu sou eu. Faço e digo o que quero quando quero, podendo soar machista, coração-mole, fraco ou duro demais. O importante é não ser cabeça-dura.
Xiii, me perdi no raciocínio.
Lomyne disse,
21/03/2010 às 8:14 PM
Sente-se confortavelmente, KarolKawaii, esse comentário vai ser longo. Fico bem contente de de ver nossas conversas ocupando um pouco do seu ócio, sério.
Os meus argumentos que você rebateu fazem muito sentido, cada coisa que você disse está certa quando tomamos por base nosso grupo de amigos, mas como eu disse no final do meu post: “Olhe pra esses argumentos e pense no grupo de colegas de trabalho ou na sua família. Porque os amigos obviamente a gente escolhe aqueles que pensam como a gente.”
Fica bem mais dfícil bater o pau na mesa quando estamos falando de família ou trabalho. E como vimos ontem no churras, escolhemos os amigos por critérios pessoais, são pessoas com ideias próximas às nossas.
A Luz del Fuego lembrou do filme “300″, de pessoas que ficaram indignadas pela mulher que usou seu corpo para convencer um fulano a mandar reforços, ora bolas, nós mulheres temos nosso corpo como arma mais poderosa, algumas o usam como primeira arma para conquistar o que querem, outras como última. O fato é que sabemos que sempre existirá este recurso.
Também tenho que concordar quando você fala que isso é culpa das mulheres. Não estou querendo fazer um tratado que nos defenda como vítimas, só estou apontando fatores.
Quanto aos homens, o mundo mudou pra eles assim como o mundo mudou pra gente, negar isso é atestado de idiotice. E seus arguentos sào tão certos que vindo de uma mulher o post está excelente, mas se um homem levantasse essa bandeira certamente ia ter gente dizendo que “pegou mal”.
Mas sabe, eu tenho fé que mais cedo ou mais tarde o mundo aprende. Só sei que ainda falta muita estrada.