Câncer ou AIDS?
Você prefere morrer de câncer ou de AIDS? Essa pergunta parece estranha pra você? São duas doenças horríveis, afinal. As duas levam à morte caso não acompanhadas de perto. Mas quero fazer uma referência à forma que cada doença surge.
Câncer é uma fatalidade. Genética, fatores cotidianos como fumo e má alimentação contribuem. Um belo dia, você acorda e descobre que está com câncer. Você não fez nada de anormal, você não esperava por isso. Você tem medo de morrer. Seus parentes e amigos sentem pena de você.
AIDS é uma conseqüência, na maioria das vezes. Sim, estou excluindo aquelas pessoas que pegaram porque o cônjuge filho da puta transou com outra pessoa e depois deu o vírus de presente. Você compartilha seringas e faz sexo sem camisinha. Você vive alucinado. Você dá e come tantas pessoas quanto o seu corpo desejar. Um belo dia você descobre que tem AIDS. As pessoas têm medo de beber água no mesmo copo que você. Você vai morrer de uma forma bem idiota, como uma gripe, por exemplo.
Antes que me processem, me chamem de ignorante, ou algo do tipo, estou apenas criando duas histórias que já devem ter acontecido alguma vez no mundo. Mas se você tivesse que escolher uma, preferia ser responsável por seu óbito ou preferia que ele fosse uma fatalidade?
A frase “bonzinho só se fode” é antiga. Se fode sendo bom, fazendo o bem. Chorando no ombro alheio e sendo considerado legal. Os bons sentem-se bem fazendo o bem. Os maus se divertem, são independentes. Veja pelo Super-homem e o Lex Luthor. Quando o Clark Kent faz algo de errado, mesmo que sem querer, fica se remoendo, feito idiota. Quando o Lex Luthor faz algum mal (e faz por querer) ele comemora com champagne.
Acho justo terem criado uma terra imaginária pra quem é bom. Antes eu pensava que ser legal com os outros era fácil. O bem é bem mais fácil de ser administrado que o mal. Você vai, faz o que é certo e pronto. Não precisa ficar administrando isso depois. Todo mundo te acha uma pessoa boa.
E fazer o mal? Bem, isso precisa ser administrado. Se você faz o mal, tem conseqüências desagradáveis, geralmente. Pessoas falam que você foi idiota, se afastam de você, seus pais cortam sua mesada e você é chamado pela diretora.
Você prefere esperar que o mal venha até você, para que você chore? Ou prefere explodir, matar antes que te matem, ser rude quando sente-se ofendido e etc.?
Oferecer a outra face ou cuspir na cara de quem te encheu o saco?
Voltando à AIDS e ao câncer, você prefere ser responsável pelo mal que acontece com você ou prefere que ele venha por fatalidade? Ser vítima ou ser o culpado? Até que ponto vale a pena sentar, chorar, fazer o que é certo e sofrer? Até que ponto vale a pena ir, brigar, perder a razão e depois ficar relaxado? Quando amar o próximo passa a ser não amar a si mesmo?
Eu prefiro ir lá, parecer uma idiota, falar coisas realmente ofensivas que guardo pra mim, ou prefiro sentar e guardar a raiva, até que ela passe, até que eu procure outro ombro pra reclamar?
Caro leitor desse confuso blog, você já me viu fazer o mal de propósito para alguém que eu falei “conte comigo”? Quantas vezes você me já viu reclamando no twitter, sem reclamar de ninguém diretamente. Quantas vezes em me senti ofendida com algo, sorri covardemente e falei tudo bem?
Eu estou morrendo de câncer, mas estou pensando em trocar pra AIDS.
Nunca cobro nada de ninguém, sempre me desculpo (até demais), me preocupo com meus amigos, entre outras coisas. Ontem veio a grande pergunta: “Tá, o que eu estou ganhando com isso?”
Até agora procuro respostas.